Passando recibo

No artigo anterior, sobre o depoimento de Antônio Palocci, tecemos algumas considerações breves a respeito das reações lulescas às declarações do ex-aliado. A carta em que Palocci pede sua desfiliação do PT, dirigida a Gleisi Hoffmann, presidente da organização criminosa, expôs com ainda mais clareza a minha teoria de que o PT não seria destruído por alguma força extrapartidária, mas por seus próprios membros.

Palocci, o novo Roberto Jefferson, pôs as coisas em termos que já usamos há muito para tratar do PT; o uso de “seita” é o mais sintomático do novo momento. A deputada Maria do Rosário, muito conhecida por seus chiliques e pelos processos intimidadores contra quem não lhe faz coro, disse, pelo Twitter, que Palocci não fala como “homem livre”, insinuando que o ex-ministro fora coagido a escrever daquela maneira.

Acontece que os que se sentem apeados da posição privilegiada que tinham sob as asas de Lula, e não têm mais a quem recorrer, estão jogando os “ídolos” ao fogo para tentar salvar-se. Palocci tem a perspectiva de apodrecer na cadeia, como está acontecendo como Zé Dirceu e, abandonado por Lula, que mal tem conseguido defender-se, resolveu abrir o bico e entregar as falcatruas do chefe.

Palocci passou o recibo a Lula. E, convenhamos, recibos muito mais legítimos que os de aluguel apresentados por Lula a Sérgio Moro, vergonhosamente falsificados.

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Teste David cum Sybilla

Depois do depoimento fracassado de Lula, em que ele chama o ex-aliado Palocci de dissimulado, frio e calculista, minha esposa me lembrou de uma das minhas “profecias”.

Há coisa de uns dois anos, eu disse que o PT não seria destruído por nenhum partido da oposição, porque, como já bem se percebeu, a oposição tem rabo preso com as mesmas pessoas. O PT sofreria um processo de autofagocitação. Conforme os cabecilhas fossem presos e delatando, o castelo de areia e excremento do PT e de parte da esquerda viraria um montão de sujeira. Dito e feito: o partido caminha para um ocaso sujo, enlameado no descrédito e com seu principal pilar carismático, Lula, transformado numa caricatura ridícula, um homúnculo que joga o peso das acusações nas costas da mulher defunta.

Está acabando. Acabou.

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A exposição do ódio

Apenas mais algumas considerações sobre a barafunda da exposição de pseudoarte.

Muita gente, inclusive o filósofo Luiz Felipe Ponde, resumiu a questão à mera escolha, ou seja, se algo não me agrada, basta não ir ver. Mas não podemos ser assim tão simplistas.

O Santander ter recuado e tirado a exposição de seu recinto cultural mostra, pela primeira vez em muito tempo, uma capacidade de reação do brasileiro que há muito parecia perdida: a de indignar-se. Não há nada mais grave para um banco que perder correntistas. É dinheiro que se vai, e arte, para banco, é apenas u’a maneira de fazer meio de campo com a turminha pseudointelectual. Assim que começou a debandada de contas — fala-se em até 20 mil —, o Santander, desesperado, e com razão, suspendeu a exposição.

O fim da exposição é um marco. A população, sem apoio de políticos ou de instituições, mostrou capacidade de mobilizar-se por algo que acredita justo, valendo-se basicamente das redes sociais. A esquerda, a maior derrotada dessa história toda pelo seu apoio ao lixo artístico, teve questionado seu papel de intelligentsia e vai passar a enfrentar resistência cada vez maiores em nichos que considerava praticamente feudos, como a arte e a cultura.

A turminha estava acostumada a fazer seus disparates — exposições, instalações e outras ‘ções’ — regados a dinheiro público, mas agora vê-se diante de um novo cenário, bem mais hostil a manifestações pseudoartísticas. Curioso, porque a coisa se inverteu. O quanto essa gente não encheu o saco em ocasiões anteriores, como o boicote ao Festival de Cinema do Recife, unicamente porque o filme “O Jardim das Aflições” estava inscrito no evento.

Depois das reações por conta do fim da exposição em Porto Alegre, a única coisa exposta é o ódio da esquerda, justamente o sentimento mais atribuído a qualquer um que não compactue dos mesmos ideais.

São novos tempos. E 2018 está aí.

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Arte quem nem arte é

Não tenho nada contra arte moderna, fora o fato de ela ser geralmente tosca e mal executada. O problema recente com a exposição “Queermuseu”, no Santander Cultural da capital gaúcha, vai muito além do fato de gostar ou não de arte ou de ser cristão ou não.

Os organizadores e os bate-paus da imprensa dizem que a exposição sobre a “diversidade sexual” foi cancelada. Lá havia telas que mostram crianças com frases acerca da sexualidade destas. Basicamente é a sexualização de crianças, prato cheio para os pedófilos.

O fato de tal arte ser ruim e que há gente que a defenda é compreensível. Se merda enlatada pode ser considerada arte, tecnicamente qualquer coisa pode sê-lo. Tudo tem seu mercado consumidor, por mais pavoroso que seja, como pornô com excrementos e chuva de mijo. A grita generalizada e o consequente fechamento da exposição nada têm a ver com arte; o fato de ser produção de baixa qualidade, provavelmente organizada por gente apenas a fim de ganhar uns trocos, é o de menos. O problema é querer que aceitemos desvios sexuais e taras com crianças e animais como algo natural. A população, por mais alienada que seja, tem escrúpulos e direito de manifestar-se contra o que considera potencialmente nocivo.

Rebaixar as manifestações à simples ignorância, de que as pessoas não entendem de arte ou são “fascistas”, é argumento vazio e nitidamente mal-intencionado. Pois ali nem arte há.

Se você curte um pornozão com merda e mijo, fique sossegado: você está no seu direito e nas suas taras. Apenas não peça que as pessoas aceitem e deixe as crianças longe disso. Do resto, vale até sexo com um tomahawk no rabo.

Organizadores e patrocinadores deram sorte. Se tal infâmia fosse num país islâmico, a coisa teria terminado com explosões ou xadrez e chibata.

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Dança com bobos

Descobri que dança contemporânea era um enrolação quando assisti a uma apresentação no Teatro Municipal de São Paulo. Creio que as tábuas de tão nobre palco jamais haviam visto tamanha infâmia.

A apresentação tinha por tema a vida dos presidiários. Dançarinos com farrapos sujos contorciam-se numa sucessão incompreensível de movimentos bruscos sobre o palco e batiam pratos de alumínio amassados no chão, fazendo um barulho horrível. A certa altura, um dos bailarinos-presidiários, que havia entrado por último, começa a ser importunado pelos outros. A situação ali retratada era clara.

Enquanto a bateção de pratos metálicos corria solta, o assédio ao bailarino recém-chegado ficava mais insistente. Nisso, as luzes começam lentamente a apagar-se. Os bailarinos começam a diminuir o ritmo e a intensidade dos golpes com pratos. Escuridão total no teatro. Um urro de dor ecoa, vindo do palco.

Minha reação imediata, entre o grito do preso sodomizado e a ovação que lhe seguiu, foi uma ruidosa gargalhada. Provavelmente a mais alta que dei até o momento presente da minha vida.

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A centésima parte da discórdia

Depois da polêmica da loja que etiquetou televisores por um décimo do preço e foi obrigada a vendê-los assim, volta e meia alguém reaparece com o tema do centavo, do comércio que pratica preços psicológicos (ou seja, com uma diferença ínfima abaixo de um preço redondo) mesmo com a inexistência virtual da moeda de um centavo.
 
Primeiro. Trata-se de um chamariz publicitário. Se você não consegue entender isso e acha que sempre é um engodo, é bom procurar ajuda. De um psiquiatra.
 
Segundo. O número de transações eletrônicas é grande no Brasil. Nesses casos, a quantia debitada da conta do cliente será exata.
 
Terceiro. Achar que alguém aufere lucro real desse tipo de procedimento só pode estar brincando. Para um supermercado ter R$ 10 de lucro com a venda de, por exemplo, um frasco de mostarda, é preciso vender mil unidades individualmente e a dinheiro. Dificilmente alguém entra no supermercado para comprar um produto e sai. E outra, no caixa, os centavos faltantes dos itens vão se somando e é observável que, quando, por exemplo, o valor de uma compra é R$ 100,01, R$ 100,02 ou até mesmo R$ 100,03, é cobrado apenas o valor redondo. Se um supermercado quiser ter uma vantagem muito maior, basta aumentar o preço de um item oficialmente em cinco centavos. A vantagem é muito maior e o mimimi, menor. Achar que há má-fé nesse tipo de procedimento é ver pelo em ovo.
 
Quarto. Sempre há os espertalhões que acham que estão sendo roubados. O que você faz com um centavo? Mesmo com cinco, o que faz? O governo leva de você uma quantia infinitamente maior em impostos.
 
Quinto. As lojas precisam parar de ser burras. É possível continuar praticando o preço psicológico como chamariz, basta usar múltiplos de cinco. Um produto a R$ 15,95 é tão chamativo quanto um que está anunciado a R$ 15,99. A intenção do comércio não é apropriar-se do seu centavo, mas fazer com que você pense estar pagando R$ 15 e, na verdade, está pagando R$ 16.
 
Sexto. Ah, sim. É procedimento usado no mundo todo. É estratégia de marketing. Se você acredita que o Estado tem de fazer uma lei proibindo preço psicológico, seu destino é o hospício.

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As línguas da esquerda

A turminha da faculdade de Letras, praticamente toda de esquerda, é ardorosa defensora de línguas minoritárias e do esfacelamento do nosso idioma em dialetos de quarteirão. O mais curioso é que não se diz uma palavra sobre o glotocídio e a russificação praticados pelas autoridades de Moscou sobre os povos não russos da felizmente extinta URSS.

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