Irreparabile fugit tempus

Quando “Xica da Silva” começou a ser transmitida pela finada Rede Manchete, canal 9 de São Paulo, eu estava terminando o oitavo ano do primeiro grau, o equivalente hoje ao novo do fundamental, ou seja estava terminando a etapa.
 
Eu me lembro muito bem que as pessoas consideravam a novela uma espécie de Cine Privé* continuado, ou seja, um pornô soft com historinha sem graça. O negócio mesmo era ver a Taís Araújo, na glória de seus dezessete aninhos, deixar ver um bico de peito ou uma forma mais arredondada das suas, hum, nalgas. Ou mesmo dos ombros nus.
 
Qual não foi minha surpresa estes dias, quando um desses sites que faz “jornalismo de listas” citou a novela como “a primeira com uma protagonista negra”.
 
Nem sei se de fato isso condiz com a realidade, mas vejam vocês como o tempo muda e (de)forma o nosso juízo. Eu não sou o fedelho pretensioso de quinze anos que era na ocasião, e “Xica da Silva” foi alçada de novelinha que velhões cansados acompanhavam com a esposa apenas para ver uma peitolinha e não incorrerem em sanção conjugal a “produção artística” lacradora.
O tempora, o mores!
* * *
* Cine Privé era nome do espaço de cinema adulto softcore que a Rede Bandeirantes, canal 13 de São Paulo, levava ao ar com produções B do gênero.
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