Dança com bobos

Descobri que dança contemporânea era um enrolação quando assisti a uma apresentação no Teatro Municipal de São Paulo. Creio que as tábuas de tão nobre palco jamais haviam visto tamanha infâmia.

A apresentação tinha por tema a vida dos presidiários. Dançarinos com farrapos sujos contorciam-se numa sucessão incompreensível de movimentos bruscos sobre o palco e batiam pratos de alumínio amassados no chão, fazendo um barulho horrível. A certa altura, um dos bailarinos-presidiários, que havia entrado por último, começa a ser importunado pelos outros. A situação ali retratada era clara.

Enquanto a bateção de pratos metálicos corria solta, o assédio ao bailarino recém-chegado ficava mais insistente. Nisso, as luzes começam lentamente a apagar-se. Os bailarinos começam a diminuir o ritmo e a intensidade dos golpes com pratos. Escuridão total no teatro. Um urro de dor ecoa, vindo do palco.

Minha reação imediata, entre o grito do preso sodomizado e a ovação que lhe seguiu, foi uma ruidosa gargalhada. Provavelmente a mais alta que dei até o momento presente da minha vida.

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1 Comentário

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One response to “Dança com bobos

  1. Mandi

    Ora, ora, temos um pequeno Vlad aqui…

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