Monthly Archives: Setembro 2017

Ovo de serpente

De novo a “arte” moderna nos surpreende. E de maneira negativa. Não bastasse a fuzarca por conta do Queermuseu em Porto Alegre, com apoio “cultural” e logístico do Santander e aporte financeiro do pagador de impostos, uma “exposição” no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) colocou um “artista” nu para que o público o tocasse, público que incluiu crianças.

“A arte é para chocar”, dizem os modernosos, como se falassem de ovos. A única coisa que está sendo chocada é o ovo de serpente que esse tipo de “arte” representa. Ou melhor, ovo maligno que já eclodiu há muito. Chocar, para essa malta de mamadores do úbere público, é simplesmente destruir os valores remanescentes que fazem de nós civilização.

Não tenho particularmente nada contra o nu, mas fazer dele “obra de arte” interativa é grotesco, horripilante, dantesco. Pôr crianças na ciranda, então, é o píncaro da perversão. Uma coisa é a sexualidade que se desenvolve com a idade, outra é uma indução doentia dos instintos. Essa gentalha faz de seus vícios e taras bandeira política.

Tampouco é questão de ataque “à moral e aos bons costumes”, essa linha já foi ultrapassada faz tempo, mas é a espetacularização do ridículo e do nocivo.

Se essa choldra não tem o interesse de destruir o que sobrou do Ocidente, está a mando e a soldo de quem o deseja. Lembremos que a infâmia tem dedo do Itaú, outro banco.

O fechamento de tal exposição não é censura, mas a negação de que tais manifestações sejam mesmo classificadas como arte. Arte não choca. Se você quer chocar, sente-se sobre uns ovos. De preferência, longe de câmeras e janelas.

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Governo Bolsonaro

As atuais condições políticas indicam uma vitória do deputado Jair Bolsonaro (Patriotas-RJ) na eleição para presidente da República, mas um quase certo governo Bolsonaro não será fácil, não obstante a provável redução da bancada da esquerda no Congresso Nacional.

Muitos dos nossos parlamentares, sem ideologia alguma a não ser a da locupletação pessoal, tendem ao “centrão”, e isso hoje quer dizer ficar em cima do muro, com opiniões pautadas pelo politicamente correto. Bolsonaro enfrentará um parlamento hostil a suas propostas, chiliquento; e aí reside um dos grandes mitos da política brasileira: prestamos muita atenção a quem colocamos na curul presidencial, mas elegemos qualquer idiota para nos representar no Congresso. Basta ver as caras do chamado “baixo clero”: representam o que de mais asqueroso há na sociedade brasileira, seja em vícios como fisionomia — Lombroso adoraria vê-los e classificá-los. É com esse tipo de gente, interesseira e fisiologista, que Jair Bolsonaro terá de haver-se, infelizmente.

O governo Bolsonaro será o começo de uma reviravolta na vida pública brasileira, mas, como toda mudança, não será fácil. E nem será imediata, como muita gente pensa.

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Passando recibo

No artigo anterior, sobre o depoimento de Antônio Palocci, tecemos algumas considerações breves a respeito das reações lulescas às declarações do ex-aliado. A carta em que Palocci pede sua desfiliação do PT, dirigida a Gleisi Hoffmann, presidente da organização criminosa, expôs com ainda mais clareza a minha teoria de que o PT não seria destruído por alguma força extrapartidária, mas por seus próprios membros.

Palocci, o novo Roberto Jefferson, pôs as coisas em termos que já usamos há muito para tratar do PT; o uso de “seita” é o mais sintomático do novo momento. A deputada Maria do Rosário, muito conhecida por seus chiliques e pelos processos intimidadores contra quem não lhe faz coro, disse, pelo Twitter, que Palocci não fala como “homem livre”, insinuando que o ex-ministro fora coagido a escrever daquela maneira.

Acontece que os que se sentem apeados da posição privilegiada que tinham sob as asas de Lula, e não têm mais a quem recorrer, estão jogando os “ídolos” ao fogo para tentar salvar-se. Palocci tem a perspectiva de apodrecer na cadeia, como está acontecendo como Zé Dirceu e, abandonado por Lula, que mal tem conseguido defender-se, resolveu abrir o bico e entregar as falcatruas do chefe.

Palocci passou o recibo a Lula. E, convenhamos, recibos muito mais legítimos que os de aluguel apresentados por Lula a Sérgio Moro, vergonhosamente falsificados.

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Teste David cum Sybilla

Depois do depoimento fracassado de Lula, em que ele chama o ex-aliado Palocci de dissimulado, frio e calculista, minha esposa me lembrou de uma das minhas “profecias”.

Há coisa de uns dois anos, eu disse que o PT não seria destruído por nenhum partido da oposição, porque, como já bem se percebeu, a oposição tem rabo preso com as mesmas pessoas. O PT sofreria um processo de autofagocitação. Conforme os cabecilhas fossem presos e delatando, o castelo de areia e excremento do PT e de parte da esquerda viraria um montão de sujeira. Dito e feito: o partido caminha para um ocaso sujo, enlameado no descrédito e com seu principal pilar carismático, Lula, transformado numa caricatura ridícula, um homúnculo que joga o peso das acusações nas costas da mulher defunta.

Está acabando. Acabou.

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A exposição do ódio

Apenas mais algumas considerações sobre a barafunda da exposição de pseudoarte.

Muita gente, inclusive o filósofo Luiz Felipe Ponde, resumiu a questão à mera escolha, ou seja, se algo não me agrada, basta não ir ver. Mas não podemos ser assim tão simplistas.

O Santander ter recuado e tirado a exposição de seu recinto cultural mostra, pela primeira vez em muito tempo, uma capacidade de reação do brasileiro que há muito parecia perdida: a de indignar-se. Não há nada mais grave para um banco que perder correntistas. É dinheiro que se vai, e arte, para banco, é apenas u’a maneira de fazer meio de campo com a turminha pseudointelectual. Assim que começou a debandada de contas — fala-se em até 20 mil —, o Santander, desesperado, e com razão, suspendeu a exposição.

O fim da exposição é um marco. A população, sem apoio de políticos ou de instituições, mostrou capacidade de mobilizar-se por algo que acredita justo, valendo-se basicamente das redes sociais. A esquerda, a maior derrotada dessa história toda pelo seu apoio ao lixo artístico, teve questionado seu papel de intelligentsia e vai passar a enfrentar resistência cada vez maiores em nichos que considerava praticamente feudos, como a arte e a cultura.

A turminha estava acostumada a fazer seus disparates — exposições, instalações e outras ‘ções’ — regados a dinheiro público, mas agora vê-se diante de um novo cenário, bem mais hostil a manifestações pseudoartísticas. Curioso, porque a coisa se inverteu. O quanto essa gente não encheu o saco em ocasiões anteriores, como o boicote ao Festival de Cinema do Recife, unicamente porque o filme “O Jardim das Aflições” estava inscrito no evento.

Depois das reações por conta do fim da exposição em Porto Alegre, a única coisa exposta é o ódio da esquerda, justamente o sentimento mais atribuído a qualquer um que não compactue dos mesmos ideais.

São novos tempos. E 2018 está aí.

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Arte quem nem arte é

Não tenho nada contra arte moderna, fora o fato de ela ser geralmente tosca e mal executada. O problema recente com a exposição “Queermuseu”, no Santander Cultural da capital gaúcha, vai muito além do fato de gostar ou não de arte ou de ser cristão ou não.

Os organizadores e os bate-paus da imprensa dizem que a exposição sobre a “diversidade sexual” foi cancelada. Lá havia telas que mostram crianças com frases acerca da sexualidade destas. Basicamente é a sexualização de crianças, prato cheio para os pedófilos.

O fato de tal arte ser ruim e que há gente que a defenda é compreensível. Se merda enlatada pode ser considerada arte, tecnicamente qualquer coisa pode sê-lo. Tudo tem seu mercado consumidor, por mais pavoroso que seja, como pornô com excrementos e chuva de mijo. A grita generalizada e o consequente fechamento da exposição nada têm a ver com arte; o fato de ser produção de baixa qualidade, provavelmente organizada por gente apenas a fim de ganhar uns trocos, é o de menos. O problema é querer que aceitemos desvios sexuais e taras com crianças e animais como algo natural. A população, por mais alienada que seja, tem escrúpulos e direito de manifestar-se contra o que considera potencialmente nocivo.

Rebaixar as manifestações à simples ignorância, de que as pessoas não entendem de arte ou são “fascistas”, é argumento vazio e nitidamente mal-intencionado. Pois ali nem arte há.

Se você curte um pornozão com merda e mijo, fique sossegado: você está no seu direito e nas suas taras. Apenas não peça que as pessoas aceitem e deixe as crianças longe disso. Do resto, vale até sexo com um tomahawk no rabo.

Organizadores e patrocinadores deram sorte. Se tal infâmia fosse num país islâmico, a coisa teria terminado com explosões ou xadrez e chibata.

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Dança com bobos

Descobri que dança contemporânea era um enrolação quando assisti a uma apresentação no Teatro Municipal de São Paulo. Creio que as tábuas de tão nobre palco jamais haviam visto tamanha infâmia.

A apresentação tinha por tema a vida dos presidiários. Dançarinos com farrapos sujos contorciam-se numa sucessão incompreensível de movimentos bruscos sobre o palco e batiam pratos de alumínio amassados no chão, fazendo um barulho horrível. A certa altura, um dos bailarinos-presidiários, que havia entrado por último, começa a ser importunado pelos outros. A situação ali retratada era clara.

Enquanto a bateção de pratos metálicos corria solta, o assédio ao bailarino recém-chegado ficava mais insistente. Nisso, as luzes começam lentamente a apagar-se. Os bailarinos começam a diminuir o ritmo e a intensidade dos golpes com pratos. Escuridão total no teatro. Um urro de dor ecoa, vindo do palco.

Minha reação imediata, entre o grito do preso sodomizado e a ovação que lhe seguiu, foi uma ruidosa gargalhada. Provavelmente a mais alta que dei até o momento presente da minha vida.

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