Monthly Archives: Agosto 2017

A centésima parte da discórdia

Depois da polêmica da loja que etiquetou televisores por um décimo do preço e foi obrigada a vendê-los assim, volta e meia alguém reaparece com o tema do centavo, do comércio que pratica preços psicológicos (ou seja, com uma diferença ínfima abaixo de um preço redondo) mesmo com a inexistência virtual da moeda de um centavo.
 
Primeiro. Trata-se de um chamariz publicitário. Se você não consegue entender isso e acha que sempre é um engodo, é bom procurar ajuda. De um psiquiatra.
 
Segundo. O número de transações eletrônicas é grande no Brasil. Nesses casos, a quantia debitada da conta do cliente será exata.
 
Terceiro. Achar que alguém aufere lucro real desse tipo de procedimento só pode estar brincando. Para um supermercado ter R$ 10 de lucro com a venda de, por exemplo, um frasco de mostarda, é preciso vender mil unidades individualmente e a dinheiro. Dificilmente alguém entra no supermercado para comprar um produto e sai. E outra, no caixa, os centavos faltantes dos itens vão se somando e é observável que, quando, por exemplo, o valor de uma compra é R$ 100,01, R$ 100,02 ou até mesmo R$ 100,03, é cobrado apenas o valor redondo. Se um supermercado quiser ter uma vantagem muito maior, basta aumentar o preço de um item oficialmente em cinco centavos. A vantagem é muito maior e o mimimi, menor. Achar que há má-fé nesse tipo de procedimento é ver pelo em ovo.
 
Quarto. Sempre há os espertalhões que acham que estão sendo roubados. O que você faz com um centavo? Mesmo com cinco, o que faz? O governo leva de você uma quantia infinitamente maior em impostos.
 
Quinto. As lojas precisam parar de ser burras. É possível continuar praticando o preço psicológico como chamariz, basta usar múltiplos de cinco. Um produto a R$ 15,95 é tão chamativo quanto um que está anunciado a R$ 15,99. A intenção do comércio não é apropriar-se do seu centavo, mas fazer com que você pense estar pagando R$ 15 e, na verdade, está pagando R$ 16.
 
Sexto. Ah, sim. É procedimento usado no mundo todo. É estratégia de marketing. Se você acredita que o Estado tem de fazer uma lei proibindo preço psicológico, seu destino é o hospício.
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As línguas da esquerda

A turminha da faculdade de Letras, praticamente toda de esquerda, é ardorosa defensora de línguas minoritárias e do esfacelamento do nosso idioma em dialetos de quarteirão. O mais curioso é que não se diz uma palavra sobre o glotocídio e a russificação praticados pelas autoridades de Moscou sobre os povos não russos da felizmente extinta URSS.

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