Adega

Antes de produzir algo que preste, é preciso produzir lixo. Será do lixo que o estilo e o trato com as palavras vão sair; é da porcariada prolixa que poderá nascer algo. Não é certeza; não é fertilização in vitro. O tempo é juiz severo; se você escreve há dez anos e se por acaso guardo o que escrevia, leia seus tesouros e veja como eles se transformaram em dísticos piegas, cheios de esquisitices lexicais — a mania de querer reinventar a língua — e períodos tortuosos; uma esquisiticezinha ou uma palavrinha inventada, muito bem, que seja, mas é impossível manter a atenção do leitor com um caminhão de estranhezas. Os textos precisam ser curados: ou azedam ou se tornam algo palatável.

Estou na fase do lixo.

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