2131 – I, II

II

Ladeada por escombros, uma passagem de um metro de altura.

— Certamente dá pra dentro do prédio.

Observamos para ver se não havia gente por perto e entramos. Peguei a lanterna no bolso e era nítido que aquela passagem havia sido feita, não era um acaso.

— Espero que não haja ninguém lá dentro.

Andamos quase agachados pelo corredor. Uma portinhola que, por sorte, estava aberta. O corredor continuou por mais alguns metros até que saímos num espaço mais amplo, calçado com pedras pretas e brancas. Levantei a lanterna: pilares quadrados e teto abobadado.

— Será aqui mesmo?

— Pelo que eu vi nos livros e pelo que o maestro Geraldo disse, a sala é essa.

O ambiente fora usado como covil pelos piratas. Várias placas ornavam as paredes, uma dizia “Rua Wenceslau Brás”. Havia uma coleção delas, além de cadeiras e uma grande mesa, com alguns pratos; sobre tudo, a poeira de quase meio século.

Era o chamado Mausoléu Paulista. Tiramos algumas das placas de rua para poder ler as inscrições na parede. Nada de interessante. No fundo da sala, um semicírculo de colunas e, em um dos nichos, a indicação do nome que procurávamos: Tibiriçá.

— Então não é uma lenda. — Disse Froilão.

— Não, não é. E, pelo que posso ver, a sepultura não foi profanada.

— Não vai abri-la?

— Não. Não temos material apropriado, e o barulho pode chamar a atenção dos nossos companheiros de viagem. Temos a confirmação de metade dos fatos. Vamos embora.

Saímos pelo mesmo caminho da entrada. Ao sair do monte de escombros que ladeava a entrada, peguei um cano de metal que estava no chão e o pus de atravessado sobre a entrada, só para marcar. E foi bem a tempo: os dois gendarmes paraguaios que acompanhavam a excursão apareceram.

— ¡Vamos! Ya es hora. El buquebus está por partir.

Juntamo-nos aos outros turistas e entramos no ânfibus.

Les debo recordar que no es permitido llevarse nada de los lugares por donde pasamos.

Dois paraguaios entreolharam-se; um deles levantou e entregou um objeto ao gendarme que havia falado.

Muy bien. Todo lo que está en la isla es propriedad del gobierno de la República. No debe ser llevado.

O guarda atirou o objeto de volta à ilha.

Olhei para Froilão, que me olhou de volta. Ele certamente havia pegado algo, mas mantivera-se calmo. O ânfibus partiu em direção à ilha da Torre.

Depois de meia hora, estávamos na outra ilha, longa e estreita, que fora uma famosa avenida. Centenas de prédios derruídos davam um ar de tristeza que tentava alcançar os céus. Essa região fora mais afetada pela explosão, pois a bomba caíra ali perto. Nada que valesse a pena: carcaças de automóveis e ônibus jaziam numa confusão louca de entulho. Depois de mais duas horas, o ânfibus nos levou de volta a Moyí de Arriba.


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