Ocidente moribundo

Durante um colóquio em um churrasco, um dileto amigo me chamou a atenção ao significado da palavra ocidente. Ocidente é a mesma coisa que poente, não apenas no senso comum, mas também etimologicamente. Occidens,-entis é particípio presente do verbo latino occido, occidere, occidi, occasum, que significa pôr-se, derrubar, matar. Daí também a nossa palavra ocaso para pôr do sol e o verbo italiano uccidere, assassinar, matar.

Isso posto, estaria o Ocidente marcado para morrer? Se levarmos em conta os últimos ataques no coração do Ocidente, a França, parece que sim. O europeu, emasculado pelo relativismo cultural, tem de enfrentar a luta pela própria existência. A sobrevida cultural da Europa, e, por extensão, do Ocidente, depende da reação aos ataques de uma organização terrorista de outra matriz civilizacional, o Oriente islâmico.

Fala-se muito do respeito a outras culturas, mas qual o respeito que o Islã pratica para com seus diferentes? Quantas igrejas existem na Arábia Saudita? Nenhuma, pois a legislação local não as permite ou tolera. Por que nós — sim, nós, porque, por mais que neguemos, somos floração do Ocidente no Novo Mundo — por que temos obrigação de tolerar o Islã enquanto ele nos caceta?

Ainda estamos longe do problema que enfrenta a Europa, com seus céus espetados pelos minaretes das mesquitas e pelos quais ecoa o azan cantarolado pelos muezins. A tolerância e o respeito são via de mão dupla. O unilateralismo promovido pelo relativismo cultural de cepa francesa, e talvez algum sentimento de culpa (que culpa?) da Europa pelo neocolonialismo, jogará o Ocidente todo na vala comum da história.

Critica-se muito a Europa do neocolonialismo, mas se esquece da limpeza étnica promovida pelo Islã na sua primeira expansão pelo norte da África, área em que a presença romana era mais fraca, mas existente, que matou o Ocidente que por ali se engendrava.

“Ah, mas e as cruzadas?” poderá indagar-me você. O Islã expandiu-se até as portas da França, onde foi detido por Carlos Martel, no século 8º; ocupou a península Ibérica totalmente ou parcialmente por sete séculos. Sem falar no Império Otomano, que ocupou os Bálcãs, da Grécia à Romênia, por vários séculos e chegou mesmo às portas de Viena.

Ainda há tempo de resistir. E, nós, na periferia do Ocidente, poderemos ter papel importantíssimo nesse processo. Podemos salvar o Ocidente do sumiço cultural a que uma fatwa extraoficial o condenou. Precisamos reformar nossos foros culturais; é preciso contrariar a etimologia. Cultura de verdade, alta cultura, não essa que precisa de ministério para existir. Precisamos de antídotos, porque cicuta a cultura do relativismo já produziu bastante.

É isso ou a fossa comum.

* * *

Publicado na Tribuna Araraquara de 28/7/2016.

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