O antiarticulismo

Escreve-se muito, o que não significa que haja qualidade no que foi escrito. Lembremo-nos do velho adágio que diz que quantidade não é qualidade. Mas do meio de tantos horrores que ofuscam nossos olhos surge a pérola, produto supremo da cretinice, o único traço de caráter (ou falta dele) que nos une como nação. A pérola é um texto de Fábio Porchat, publicado neste domingo, 1º/5, por O Estado de São Paulo.

Ter Fábio Porchat como colunista já é demérito de per si. Ofende a história do jornal e seus assinantes. Porchat virou um porta-voz vazio e arrogante de forças moribundas que insistem em aferrar-se ao poder; vazio porque não tem argumentos — se o advogado-geral da União, José Cardozo, já anda falto deles durante a defesa suicida de um governo zumbi, que dirá Fabinho — e arrogante por ter aquela postura que têm membros de centro acadêmico universitário. A arrogância da certeza absoluta; ou do contracheque bem-nutrido que brinda o sectarismo.

Parturient montes… Da mente genial do comediante (hum…) emergiu o sintomático artigo a que aludimos mais acima, intitulado “Fora, Cunha!”, que se resume ao título repetido 179 vezes e um post scriptum com o título mais uma vez, recurso esse o único resquício de inteligência.

O texto — será mesmo um texto? — tem o cheiro nauseabundo de centro acadêmico em dia de festa universitária: cerveja barata e vômito. Palavras de ordem, como aquelas que se berram em manifestações. O articulismo foi reduzido à repetição esquizoide de um mantra daqueles que desesperadamente choram a perda antecipada da sinecura. Basta lembrar que os mesmos argumentos usados para defender a cadente Dilma podem igualmente valer para Cunha: foram eleitos democraticamente, serão julgados por um parlamento corrupto, blá-blá-blá, etc. e tal.

Não bastasse o blecaute de inteligência que sofre o país, Fábio Porchat inventou um novo monstrengo dos nossos tempos: o antiarticulismo.

P. S.: pensar que o Estado paga a Porchat para que ele garatuje esse tipo de abobrinha me tira o sono. Fora, Porchat!

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