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Gino experimental

Em certo período da vida, as crianças começam a reagir àquilo que as circunda e, principalmente, começam a manifestar preferências por determinados objetos. Gino tem predileção pelos controles remotos da casa, justamente o objeto dos meus tormentos, pois tudo tem controle remoto hoje em dia, e aquela legião de tabletes esquisitos povoa as dobras do sofá. Quantas vezes não tentei ligar a tevê com o controle do DVD ou ligar o DVD com o controle do conversor da tevê a cabo? Eu os odeio, mas Gino os adora. Com os dedinhos, tenta arrancar os botões coloridos e borrachudos.

O curioso do Gino não é seu gosto pelos controles, mas como ele analisa os objetos que caem nas (e das) suas mãos. Primeiro, conseguindo alcançar o objeto desejado, ele o gira nas mãos e o olha detidamente; é difícil descrever com palavras esse procedimento, pois é muito metódico, como um cientista diante de um achado. A segunda fase é testar a resistência do material, que é posto à prova com golpes contra a cabeça do próprio observador – aquela turma que escreve as normas ABNT enlouqueceria com esses “métodos e materiais”.

Testada a resistência do objeto, a última fase é o teste de gravidade. O objeto é atirado ao chão, e seu comportamento é observado pelo Gino; se quica, se fica parado onde caiu, se rola. Já insisti com ele que a Lei da Gravidade é universal e que todo objeto é atraído para o chão, logo a última parte de sua bateria de testes é chover no molhado, mas ele fixou os olhinhos azuis em mim e, na sequência, olhou para a luminária da sala. Já entendi que, enquanto o lustre não cair, minha afirmação não terá validade para ele.

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