Muro de Berlim – 11 de novembro de 1989

O Muro de Berlim caiu num sábado, mas não tomei conhecimento imediato. No domingo, fomos para a casa da minha avó, onde também estava a minha tia, que é professora de História. Naquela época, eu era a única criança da família com capacidade de fala. Minha irmã tinha pouco menos de dois anos, e meu primo, alguns meses. Essa situação tornava inevitável a minha inclusão na conversa dos adultos, pelo menos como ouvinte.

Minha mãe e minha tia, sentadas no sofá, trocavam impressões sobre a queda do Muro.

— Você viu? Tanta gente morreu tentando atravessar e, de repente, o Muro caiu de uma hora pra outra.

— Pois é.

Nessa época, a contragosto da minha mãe, eu já pulava muros. O muro do fundo de casa, para ser mais exato. O muro da esquerda, de blocos aparentes, era intransponível, tinha uns quatro metros de altura, o que fez com que eu associasse este muro ao de Berlim.

Na época, entendia apenas que existia o “lado de cá” e o “lado de lá” do muro. Perguntei-me se era porque em um dos lados não gostavam de cachorros. E na casa da minha avó, não sei por que cargas d’água, eu me sentia perto da Tchecoslováquia.

Anos depois, o vizinho vendeu a casa, e o novo morador ergueu mais umas fiadas de blocos, arrematando-o com grade e cerca elétrica, o que o deixou ainda mais parecido com o muro berlinense, que já não mais existia.

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