Carlos Drummond de Andrade – 17 de agosto de 1987

Em 1987, eu estava na pré-escola. Lembro-me vagamente de duas das “tias” conversando sobre a morte do poeta como quem comenta sobre o aumento do feijão. Aliás, aumentos do custo de vida não faltavam naquele tempo. Uma delas parecia displicentemente preocupada; a outra, que não ligava uma vírgula.

Estávamos todos na hora do recreio. Saí de perto das professoras e fui para um brinquedo, acho que o gira-gira, e disse a um coleguinha que o Carlos Drummond de Andrade havia morrido. “Quem é? Seu tio?”, devolve-me o menino. “Não sei, não faço ideia. Era poeta.” “Poesia é coisa de retardado”, disse ele dando impulso no brinquedo.

Por anos guardei aquela definição comigo, que poesia era coisa de retardado.

Pouco tempo depois, Drummond foi homenageado numa cédula efêmera, menorzinha em relação às séries anteriormente emitidas, o que me confirmou o quão pequeno era o papel da poesia no mundo.

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