Prognóstico

Aquele bafo quente na nuca. É como se fosse o seu primeiro dia no presídio, um grande presídio. Desses que têm muralhas que parecem a cordilheira dos Andes e grades grossas, reticuladas, em que os detentos amarram trapos, parecendo respiradouros do submundo.

Imagine um presídio imenso, imenso. Quilômetros e muralhas, que fariam do muro de Berlim uma cerca de bambu. Milhares, milhões dessas janelas gradeadas infernais. Lá dentro, celas atapetadas e forradas de gente. Tudo cheira a sovaco, tudo é cotado em cigarros ou favores sexuais no mercado negro.

Há olhos maus por toda parte. E olhos com medo, que, com o tempo, se tornam maus; olhos insones de semanas.

São as entranhas do Estado. Um Estado que mantém toda a sua população dentro de um presídio imundo. O país todo é uma grande Pedrinhas. A curra é o aumento da Selic. O bafo quente na nuca é o aumento do dólar, provocando inflação e corroendo o poder de compra da população, desvalorizando os cigarros e a maria-louca.

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