Monthly Archives: Abril 2015

Madame Óbvio

A senadora Marta Suplicy, de saída do PT, deu uma esclarecedora entrevista, publicada na Veja desta semana. Nas famosas páginas amarelas, a baronesa Smith de Vasconcelos escoiceou o partido que ajudou a fundar e disse o que as pessoas realmente esclarecidas já estão cansadas de saber.

Embora conhecida pelo temperamento pouco aristocrático, com direito a berros em debates, Marta, tardiamente, pôs os pingos nos ii até com certa elegância; manteve silêncio, seja por fidelidade partidária ou conveniência, como no episódio em que foi preterida pelo partido em favor de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo.

Ela classificou o ex-correligionário como incapaz, mas que o engoliu por ser uma decisão do partido; Marta ainda teve o escrúpulo supremo de poupar a “vaca sagrada” de nove dedos.

Mas a baronesa que não se iluda; o PT é vingativo com quem abandona a seita — que o digam aqueles que não podem mais falar neste plano, mas cujas almas reclamam justiça.

Tanto que o partido já expôs os punhais: vai à Justiça pedir a cadeira no Senado.

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Mozart e o churrasco na laje

O tema é velho, já tem o bafio de armário fechado, mas é sempre conveniente lembrá-lo. Trata-se do que se considera publicamente “cultura brasileira”.

Existiria, de fato, cultura brasileira? Depende muito de quem diz e como diz. Resposta mais coerente seria dizer que há rudimentos de cultura brasileira.

Venho com esta questão pelo artigo de Fábio Porchat, publicado no site do Estadão, intitulado “Regina Casé”, em que o autor se rende ao coro de glorificação à mediocridade autóctone, conceito tão caro à esquerda.

Na madrugada de hoje, quando entrei ao vivo na Rádio Vox, com Alex Pereira, invariavelmente acabamos falando do assunto, já que mais um integrante do “Esquenta”, atração comandada por Regina Casé, foi pego em situação, digamos, desconfortável.

Porchat diz que Regina “levou o pobre” para a televisão. Discordo. Ela levou — será que foi a primeira? Duvido — o submundo para a televisão. A glamorização da vagabundagem, da ociosidade, como se pobre vivesse sem camisa, como que a vida do pobre fosse um domingo eterno, com churrasco de patinho, cerveja ruim e pagode.

Ou seja, aquela turma que diz rejeitar determinados estereótipos sociais — negro empregado, pobre humilhado — apenas os rejeita para criar o seu próprio: o do desdentado feliz. E ainda tem a pachorra de chamar isso de “cultura”. O lumpemproletariado, tão desprezado por Marx, tornou-se o protótipo de povo para os descolados marxistas brasileiros.

Quando a turma do romantismo descolou culturalmente o Brasil de Portugal, não sabia o inferno que estava criando. Colou-o na França decadente, que, desde a Revolução de 1792, só deu ao mundo o pior possível. O relativismo cultural fabriqué en France, filhote do marxismo cultural, é o principal responsável pela criação da anticultura como cultura, ou seja, da elevação de manifestações sociais absolutamente triviais ao posto de exemplo de cultura.

Enquanto não entendermos que uma sonata de Mozart vale mais que 200 anos de anticultura brasileira, não vamos a lugar nenhum. Estaremos condenados ao churrascão na laje com cerveja ruim da história.

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Villa versus Olavo

Marco Antônio Villa tem uma carreira acadêmica respeitável. Mas considerando que a academia brasileira é uma farsa, o que significa “respeitável” neste caso? É aquela respeitabilidade que existe entre cães que se encontram na rua, que cheiram um o rabo do outro.

Eu tinha, até alguns dias atrás, Villa como uma referência. Era acadêmico, lecionava em uma universidade pública (a Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, na Região Central do Estado de São Paulo), tem livros interessantes e parecia incontaminado pelo esquerdismo xiita que transforma as instituições em sucursais do PSOL ou do PCO.

Porém, nessa semana passada, em entrevista a Joice Hasselmann, da TVeja, o canal de vídeo da revista Veja, o professor mostrou que seu discurso é similar àquele que despreza — ou finge desprezar.

Numa alocução infeliz, embora não o tenha nomeado, atribuiu ao filósofo Olavo de Carvalho a pecha de “fascista”. Mas não fascista no termo correto de uso; fascista no sentido que o termo tem no dialeto dos centros acadêmicos. Ou seja, Villa é um acadêmico brasileiro como qualquer outro. Em vez de ser vermelhinho, como seus colegas, é amarelo, da cor daqueles que têm vergonha de ser PT, mas cujo pensamento não fica muito distante.

Villa deve desculpas a Olavo. E era honesto que o fizesse; afinal, a erro estamos sujeitos todos e devemos ter sempre isso em mente. Mas é muito difícil que o faça, não obstante a campanha que vem tomando volume. Os acadêmicos, por mais pífios que sejam, ainda veem nos seus departamentos o fantasma da velha cátedra vitalícia, creem-se imbuídos da sabedoria divina, que é, na verdade, a arrogância dos imbecis.

Uma pena que Villa não tenha saído dos anos 1960.

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Porto Alegre-Brasília

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), ergueu a lança. Entre repassar parcelas de dívida para Brasília e pagar o funcionalismo estadual, ele ficou com a segunda opção. Antes desse ato, Sartori havia ido a Brasília negociar uma solução. Mas como a União anda precisando fazer caixa a todo custo, a solução dada ao governador foi que ele fizesse o repasse e ficasse quieto.

De volta aos Pampas, ele anunciou a suspensão do repasse à União neste mês e o pagamento do funcionalismo.

Só ouvi falar de Sartori nas últimas eleições. Na tradição gaúcha de não reeleger governador, ele fez Tarso Genro (PT) pegar suas tralhas e picar a mula do Palácio Piratini, que agora ostenta apenas o título de onanista-mor do Estado.

Aventou-se pelos corredores viperinos de Brasília que o Estado poderia ser retaliado. Mas que poder ou moral um governo natimorto tem de retaliar quem quer que seja?

E não podemos nos esquecer de que o Rio Grande, até o final do ano passado, era governado pelo mesmo partido que ocupa o Palácio do Planalto. Odir Tonollier, secretário de Fazenda da gestão Tarso, está sumido, não fala com a imprensa. Em março, havia dado uma entrevista espalhafatosa, na qual afirmava que Sartori, que se atreveu a abrir a caixa da Pandora das finanças gaúchas, deveria governar “sem olhar para trás”. Uma ameaça?

A “rebeldia” de Sartori ligou o alerta em Brasília. Se outros governadores seguirem o exemplo do gaúcho de Farroupilha, a União petista vai ter dobrar a língua e a sanha arrecadadora.

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Eu acredito em Lula

O Brasil é o país em que o remédio só chega — quando chega — depois que o doente morre. Refiro-me às recentes iniciativas da oposição e também a um pouco de fogo amigo.

O senador José Serra (PSDB-SP) elaborou um projeto que, se aprovado, institui o voto distrital para os municípios com mais de 200 mil habitantes, inicialmente para as eleições municipais. O PLS 25/2015 foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Possibilidade há de o dispositivo começar a valer em 2016.

A ideia parece boa. Aliás, qualquer coisa parece boa nessa democracia de rodeio, que, desde 1988, escoiceia-se. O que me intriga, mas não me surpreende, é o fato de esse tipo de ideia vir sempre de quem está fora do poder; o mesmo partido que hoje é oposição já esteve no poder e é defensor primeiro do Statosaurus brasiliensis — as privatizações que o governo FHC fez doem-lhe até hoje, tanto que jogou o ex-presidente para escanteio. E pensar que são seu único mérito. Croce e delizia.

Só se vê algo ligeiramente bom para o país quando os partidos começam a discordar e perseguir-se. O governo enfraquecido de Dilma abriu a possibilidade de uma reforma política séria, que não é aquela do PT; e mesmo o PT não fará muito esforço para defender o Frankenstein ideológico que é Dilma, meio petista, meio brizolista.

Lula disse que Dilma vai fazer o brasileiro voltar a sorrir. Eu acredito em Lula. Acredito em Lula pela primeira vez na minha vida. Aliás, já estou sorrindo, mas é um sorriso meio triste, o risinho de canto de boca provocado pelo ridículo, pelo vergonhoso. Aquele riso involuntário de quem não quer rir, mas a situação o obriga. É o humor que invariavelmente há no prenúncio de todas as tragédias políticas.

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A pressa, amiga dos mal-intencionados

O ser humano tem uma tendência irrefreável à pressa, mas os processos que o envolvem geralmente são mais lentos. A política é bom exemplo desse ritmo.

O Império Romano não sumiu do dia para a noite; tampouco os Estados Unidos surgiram numa aurora qualquer. Os fatos históricos que estudamos e temos como marco são, no geral, resultados de processos que se deram no período anterior, e que podem ter levado décadas ou mesmo séculos para ocorrer.

Há também, por outro lado, as chamadas revoluções. As revoluções são convulsões epiléticas da história. Não raramente, originam guerras civis, mortes em massa e, ao final, as coisas não mudam ou apenas trocam de cor e de sinal.

É por isso que quando se fala em “derrubada do PT”, a coisa tem de ser bem detalhada. Uma “derrubada revolucionária” apenas vai abrir espaços para que “salvadores da pátria” sentem-se no trono almejado.

Assim como a tomada do poder pela esquerda foi um processo começado com a Intentona de 1935, com várias etapas e revezes até ser alcançado o objetivo final, sua derrocada também vai ser algo lento. Clamar aos generais, por exemplo, é uma grande besteira, como 1964 provou. O que deve ser feito — e vem sendo feito — é deixar clara a rejeição que existe ao projeto político da esquerda, com ações políticas e organização da sociedade, o que será um processo lento e fraturado, em longo prazo. É preciso entender que nada se resolve com estalar de dedos.

Ansiar por uma solução ex machina, por uma varinha de condão política, não vai funcionar. Nunca funcionou.

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Por que não vou aos protestos de amanhã

Acho que devo uma explicação a meus amigos, colegas e também conhecidos de internet.

Há tempos venho mantendo uma postura de enfretamento ideológico ao governo petista e a tudo aquilo que ele representa: seja o bolivarianismo alucinado ou a aliança com tudo o que de pior há na política brasileira para simplesmente construir seu projeto de poder.

Você adverte as pessoas, e essas o tratam por algum tipo de louco, enquanto quem realmente se locupleta com desmandos e desvios apenas manipula uma multidão idiotizada e fanatizada, simples massa de manobra, formada pelas “minorias” em que a esquerda segmenta a sociedade.

As pessoas ou são coniventes com a barbárie pela inação ou simplesmente desfrutam dela, como da vindima dos recursos gerados pela sociedade. Acham que o Estado lhes é devedor, quando apenas têm o bolso arrombado por este. Acreditam numa igualdade que destrói. Basta ver o que esse pensamento fez com as nossas escolas.

Gente que rejeita o “totalitarismo” conservador para apenas abraçar um totalitarismo que lhes parece mais conveniente, uma mentira que lhes acalenta a alma.

Todo teórico socialista é um mentiroso, e todo seguidor de uma doutrina que matou mais de 100 milhões sobre a face da terra não é apenas um imbecil, mas um assassino também, um cúmplice.

Por mais que se mostrem as verdades, as pessoas agarram-se às mentiras reconfortantes como sanguessugas. Elas realmente acreditam que o PT é um partido que respeita o jogo democrático. Elas acreditam até que existe direita no Brasil.

Mesmo decepcionadas, essas pessoas ainda têm o autoengano como recurso. “O candidato da oposição seria pior.” E quem fala de outro candidato aqui? O amarelo é apenas um vermelho desbotado. A social-democracia é o partido de Lênin, como o maior teórico da social-democracia brasileira, FHC, disse em entrevista à Piauí.

Para ajudar a essa gente que me rodeia que vou dar a cara nos protestos? Para defender gente que cospe em mim, que me chama de pelego e gritam ofensas à minha mãe?

Essa gente que toda vez que acontece algum assassinato hediondo colocam a culpa na “opressão da sociedade” e que a “educação serve para evitar isso”. Que educação? Essa educação freireana que só serviu para incitar o ódio entre as pessoas? A educação de vocês não serve para nada. A educação de vocês é um embuste. A educação de vocês é o assassinato da inteligência em favor do proselitismo ideológico!

Eu quero mais é que vocês todos se fodam. Não vou me expor para expiar a culpas de imbecis que votam no primeiro idiota que lhe dá um bolsa-família. Em energúmenos que acreditam que isso é programa social. Vocês não valem a pena. Nunca valeram.

E agora estão aí, babando ódio porque a verdade não lhes é mais confortável, porque o socialismo de centro acadêmico não é bem aquilo que parecia ser. Vocês merecem todos ir para o inferno. Que vocês cozinhem no caldo da própria ignorância!

Claro que a minha postura não desautoriza a quem quer que seja de ir aos protestos. Vão. Mas se lembre que, no final, mesmo que deem certo, haverá filhos da puta para manchar a nossa história, de dizer que um governo “popular” foi derrubado.

Pela segunda vez, abro mão do debate político. Da primeira vez, porque queria agradar os “amigos”, e agora, para cuidar dos meus assuntos, da minha família. Pro domo mea.

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