Anões diplomáticos

Muito tem se falado de política interna neste espaço — não se esperaria outro, já que a temática é eleição. Mas a ida recente da presidente Dilma às Nações Unidas me fez lembrar de um ponto importantíssimo para o próximo governo, obscurecido pela fuzarca interna: a política externa.

Nos últimos 12 anos, o Brasil passou de coadjuvante benquisto a país pária. Em 2010, buscou, com a Turquia, respaldar o Irã na produção de urânio, numa tentativa desastrada de protagonismo. O resultado foi que Europa, Estados Unidos e Israel ignoraram a manobra que, como se sabe, não foi levada a sério pelo próprio Irã.

A integração regional por meio do Mercosul naufraga miseravelmente pelo uso político, o que não é culpa apenas do Brasil, mas também do populismo argentino. A inclusão da Venezuela como membro pleno do bloco, em um circo montado sobre o impeachment do então presidente paraguaio, Fernando Lugo, mostrou o que se tornou o mercado comum.

A política externa do PT arrasta o Brasil para o limbo das nações. Nos últimos tempos, tivemos três alocuções da presidente Dilma no plenário das Nações Unidas. Em 2011, Dilma discursou um amontoado confuso de temas como Primavera Árabe e regulamentação financeira, além de criticar Israel, claro; em 2012, citou o conceito de islamofobia (?), numa prova irrefutável de abraçar o politicamente correto apenas por aplausos, e defendeu mecanismos de “controle” na Internet. No mais recente discurso, defendeu diálogo com a turma do Estado Islâmico. Sim, aquela turma que corta cabeças de opositores e jornalistas.

Não bastasse isso tudo, formamos o tal Brics com Rússia, China, Índia e a neófita África do Sul. Longe de parecer um bloco, essa associação parece mais uma gangue de arruaceiros. Nada nascerá de tal conluio. Fora as amizades carnais com Cuba e Venezuela, o pior que há no quesito democracia na América Latina.

Em miúdos, a política externa brasileira precisa ser revista, independentemente de quem ganhe o Planalto em outubro. Conseguimos manchar um trabalho que vinha desde o Barão do Rio Branco em meros 12 anos; não houve avanço algum, apenas uma deterioração aguda da imagem do País frente aos olhos dos nossos principais parceiros de verdade: Europa e Estados Unidos. Resolvemos isso, ou estaremos fadados a ser mesmo como a diplomacia israelense nos classificou recentemente, por conta do protesto torto da diplomacia brasileira aos conflitos em Gaza: anões diplomáticos.

* * *

Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara em 28/9/2014.

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under Sem categoria

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s