E a direita?

Todo país politicamente saudável tem partidos de esquerda e de direita. Pergunto ao (e)leitor: onde estão nossos partidos de direita?

Antes que haja berreiro, vejamos os candidatos à presidência: Marina Silva (PSB), ex-petista; Eduardo Jorge (PV), ex-petista e Dilma Rousseff (PT); fora a nanoesquerda radical, que conta com PSTU e PCO. Não, não excluí Aécio Neves (PSDB) da lista, antes, deixei-o como a cereja da torta. A social-democracia brasileira, nas palavras do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista à revista Piauí, é o “partido de Lênin”. A social-democracia tem por base a ideia de distribuição de renda por meio do Estado. Isso é direita? Aliás, as privatizações tucanas e seu sistema de agências reguladoras têm cheiro a NEP (a Nova Política Econômica de Lênin, aplicada nos anos imediatamente após o golpe de estado bolchevique sobre a Rússia).

Logo, deduz-se que não há direita no Brasil. Aliás, a afirmação não é minha, mas o próprio ex-presidente Lula, em 2009, disse que, na eleição que seria no ano seguinte, “todos os candidatos eram de esquerda”. Nosso espectro político é monocromático, o que não é um fato a ser comemorado, pois denota pobreza de opinião por parte do eleitorado. Classificar o PSDB como direita, por exemplo, é apenas um delírio de quem está mais a esquerda. Assim como associar direita a autoritarismo e a ditaduras é pura ignorância ou má-fé de quem fala. Nunca vi tucano de calibre falar abertamente em livre mercado ou Estado mínimo; apenas uma ou outra ave implume, à beira do ninho.

A direita no Brasil é nanica por dois motivos: 1) por uma ideia de que o ‘povo’ é objeto de todas as atenções do Estado, flagelo que começou com Vargas e impregna nossa vida pública desde então e 2) o ideário da direita é assumido por gente histriônica, que apenas tenta chamar a atenção do eleitorado para se eleger, como quem veste uma fantasia para ir ao baile de Carnaval. Há raríssimas exceções.

Faltam partidos que defendam seriamente livre mercado, empreendedorismo e Estado mínimo. Os debates ficam sempre em todos daquela conversa fiada de “educação, saúde e segurança”. De que adianta? Tudo o que o Estado nos oferece é ruim. Que tal um partido que defenda a desarticulação desse sistema falido e pugne pela desoneração do contribuinte para que ele mesmo tenha a liberdade de escolher o que achar melhor em educação e saúde? O pensamento assistencialista da esquerda impõe a visão de que o cidadão é um incapaz, que tem de ser tutelado.

Quando haverá opções reais nas eleições?

* * *

Publicado na Tribuna Impressa de Araraquara, em 7/9/2014.

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