Aeroporto

Andei de avião poucas vezes na vida, um, porque não viajo muito e, dois, os lugares aos quais vou costumam ser mais perto. Mas é inegável a rodoviarização dos aeroportos. O problema não é o aeroporto cheio de gente. Isso é até desejável, é sinal de que o dinheiro está circulando, gente que há 20 anos lotava Tietê, Barra Funda, Jabaquara e o finado terminal Bresser hoje pode dispor da comodidade e da rapidez dos aviões.

O problema da superlotação dos aeroportos é similar àquele causado pela LDB de 1971, que pôs todo mundo na escola sem a devida expansão da rede. Falta infraestrutura. Fora a questão técnica, veio com os novos alados a falta de educação. Chiliques dignos de feira livre, crianças correndo por toda parte e seus pais omissos, filas, livrarias recheadas de livros ruins.

A rodoviária ficou suave de suportar. Algo quase romântico: viagens lentas e revistas de palavras cruzadas, o jornal do dia. Os ônibus são mais pontuais, e as conexões, menos demoradas. Mas, pelo andar da carruagem — ou pelo voo do turbo-hélice — os ônibus estão condenados como os trens de passageiros. A ferrovia ficou relegada ao transporte de carga, e as estradas ficarão como reino absoluto dos automóveis particulares e pequenos trajetos de ônibus suburbanos. Os trajetos médios serão dos aviões; os aeroportos herdarão das rodoviárias a sujeira, o caos, os banheiros imundos. Claro que haverá banheiros limpos. A R$ 2.

Nem sempre o progresso vem para bem.

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