Teste David cum Sybilla

Depois do depoimento fracassado de Lula, em que ele chama o ex-aliado Palocci de dissimulado, frio e calculista, minha esposa me lembrou de uma das minhas “profecias”.

Há coisa de uns dois anos, eu disse que o PT não seria destruído por nenhum partido da oposição, porque, como já bem se percebeu, a oposição tem rabo preso com as mesmas pessoas. O PT sofreria um processo de autofagocitação. Conforme os cabecilhas fossem presos e delatando, o castelo de areia e excremento do PT e de parte da esquerda viraria um montão de sujeira. Dito e feito: o partido caminha para um ocaso sujo, enlameado no descrédito e com seu principal pilar carismático, Lula, transformado numa caricatura ridícula, um homúnculo que joga o peso das acusações nas costas da mulher defunta.

Está acabando. Acabou.

Anúncios

1 Comentário

Filed under Sem categoria

A exposição do ódio

Apenas mais algumas considerações sobre a barafunda da exposição de pseudoarte.

Muita gente, inclusive o filósofo Luiz Felipe Ponde, resumiu a questão à mera escolha, ou seja, se algo não me agrada, basta não ir ver. Mas não podemos ser assim tão simplistas.

O Santander ter recuado e tirado a exposição de seu recinto cultural mostra, pela primeira vez em muito tempo, uma capacidade de reação do brasileiro que há muito parecia perdida: a de indignar-se. Não há nada mais grave para um banco que perder correntistas. É dinheiro que se vai, e arte, para banco, é apenas u’a maneira de fazer meio de campo com a turminha pseudointelectual. Assim que começou a debandada de contas — fala-se em até 20 mil —, o Santander, desesperado, e com razão, suspendeu a exposição.

O fim da exposição é um marco. A população, sem apoio de políticos ou de instituições, mostrou capacidade de mobilizar-se por algo que acredita justo, valendo-se basicamente das redes sociais. A esquerda, a maior derrotada dessa história toda pelo seu apoio ao lixo artístico, teve questionado seu papel de intelligentsia e vai passar a enfrentar resistência cada vez maiores em nichos que considerava praticamente feudos, como a arte e a cultura.

A turminha estava acostumada a fazer seus disparates — exposições, instalações e outras ‘ções’ — regados a dinheiro público, mas agora vê-se diante de um novo cenário, bem mais hostil a manifestações pseudoartísticas. Curioso, porque a coisa se inverteu. O quanto essa gente não encheu o saco em ocasiões anteriores, como o boicote ao Festival de Cinema do Recife, unicamente porque o filme “O Jardim das Aflições” estava inscrito no evento.

Depois das reações por conta do fim da exposição em Porto Alegre, a única coisa exposta é o ódio da esquerda, justamente o sentimento mais atribuído a qualquer um que não compactue dos mesmos ideais.

São novos tempos. E 2018 está aí.

Deixe um comentário

Filed under Sem categoria

Arte quem nem arte é

Não tenho nada contra arte moderna, fora o fato de ela ser geralmente tosca e mal executada. O problema recente com a exposição “Queermuseu”, no Santander Cultural da capital gaúcha, vai muito além do fato de gostar ou não de arte ou de ser cristão ou não.

Os organizadores e os bate-paus da imprensa dizem que a exposição sobre a “diversidade sexual” foi cancelada. Lá havia telas que mostram crianças com frases acerca da sexualidade destas. Basicamente é a sexualização de crianças, prato cheio para os pedófilos.

O fato de tal arte ser ruim e que há gente que a defenda é compreensível. Se merda enlatada pode ser considerada arte, tecnicamente qualquer coisa pode sê-lo. Tudo tem seu mercado consumidor, por mais pavoroso que seja, como pornô com excrementos e chuva de mijo. A grita generalizada e o consequente fechamento da exposição nada têm a ver com arte; o fato de ser produção de baixa qualidade, provavelmente organizada por gente apenas a fim de ganhar uns trocos, é o de menos. O problema é querer que aceitemos desvios sexuais e taras com crianças e animais como algo natural. A população, por mais alienada que seja, tem escrúpulos e direito de manifestar-se contra o que considera potencialmente nocivo.

Rebaixar as manifestações à simples ignorância, de que as pessoas não entendem de arte ou são “fascistas”, é argumento vazio e nitidamente mal-intencionado. Pois ali nem arte há.

Se você curte um pornozão com merda e mijo, fique sossegado: você está no seu direito e nas suas taras. Apenas não peça que as pessoas aceitem e deixe as crianças longe disso. Do resto, vale até sexo com um tomahawk no rabo.

Organizadores e patrocinadores deram sorte. Se tal infâmia fosse num país islâmico, a coisa teria terminado com explosões ou xadrez e chibata.

Deixe um comentário

Filed under Sem categoria

Dança com bobos

Descobri que dança contemporânea era um enrolação quando assisti a uma apresentação no Teatro Municipal de São Paulo. Creio que as tábuas de tão nobre palco jamais haviam visto tamanha infâmia.

A apresentação tinha por tema a vida dos presidiários. Dançarinos com farrapos sujos contorciam-se numa sucessão incompreensível de movimentos bruscos sobre o palco e batiam pratos de alumínio amassados no chão, fazendo um barulho horrível. A certa altura, um dos bailarinos-presidiários, que havia entrado por último, começa a ser importunado pelos outros. A situação ali retratada era clara.

Enquanto a bateção de pratos metálicos corria solta, o assédio ao bailarino recém-chegado ficava mais insistente. Nisso, as luzes começam lentamente a apagar-se. Os bailarinos começam a diminuir o ritmo e a intensidade dos golpes com pratos. Escuridão total no teatro. Um urro de dor ecoa, vindo do palco.

Minha reação imediata, entre o grito do preso sodomizado e a ovação que lhe seguiu, foi uma ruidosa gargalhada. Provavelmente a mais alta que dei até o momento presente da minha vida.

1 Comentário

Filed under Sem categoria

A centésima parte da discórdia

Depois da polêmica da loja que etiquetou televisores por um décimo do preço e foi obrigada a vendê-los assim, volta e meia alguém reaparece com o tema do centavo, do comércio que pratica preços psicológicos (ou seja, com uma diferença ínfima abaixo de um preço redondo) mesmo com a inexistência virtual da moeda de um centavo.
 
Primeiro. Trata-se de um chamariz publicitário. Se você não consegue entender isso e acha que sempre é um engodo, é bom procurar ajuda. De um psiquiatra.
 
Segundo. O número de transações eletrônicas é grande no Brasil. Nesses casos, a quantia debitada da conta do cliente será exata.
 
Terceiro. Achar que alguém aufere lucro real desse tipo de procedimento só pode estar brincando. Para um supermercado ter R$ 10 de lucro com a venda de, por exemplo, um frasco de mostarda, é preciso vender mil unidades individualmente e a dinheiro. Dificilmente alguém entra no supermercado para comprar um produto e sai. E outra, no caixa, os centavos faltantes dos itens vão se somando e é observável que, quando, por exemplo, o valor de uma compra é R$ 100,01, R$ 100,02 ou até mesmo R$ 100,03, é cobrado apenas o valor redondo. Se um supermercado quiser ter uma vantagem muito maior, basta aumentar o preço de um item oficialmente em cinco centavos. A vantagem é muito maior e o mimimi, menor. Achar que há má-fé nesse tipo de procedimento é ver pelo em ovo.
 
Quarto. Sempre há os espertalhões que acham que estão sendo roubados. O que você faz com um centavo? Mesmo com cinco, o que faz? O governo leva de você uma quantia infinitamente maior em impostos.
 
Quinto. As lojas precisam parar de ser burras. É possível continuar praticando o preço psicológico como chamariz, basta usar múltiplos de cinco. Um produto a R$ 15,95 é tão chamativo quanto um que está anunciado a R$ 15,99. A intenção do comércio não é apropriar-se do seu centavo, mas fazer com que você pense estar pagando R$ 15 e, na verdade, está pagando R$ 16.
 
Sexto. Ah, sim. É procedimento usado no mundo todo. É estratégia de marketing. Se você acredita que o Estado tem de fazer uma lei proibindo preço psicológico, seu destino é o hospício.

Deixe um comentário

Filed under Sem categoria

As línguas da esquerda

A turminha da faculdade de Letras, praticamente toda de esquerda, é ardorosa defensora de línguas minoritárias e do esfacelamento do nosso idioma em dialetos de quarteirão. O mais curioso é que não se diz uma palavra sobre o glotocídio e a russificação praticados pelas autoridades de Moscou sobre os povos não russos da felizmente extinta URSS.

Deixe um comentário

Filed under Sem categoria

Dumbo Dinamite

Ladrão é preso com explosivos; alvo era agência bancária

Da redação

A polícia prendeu na manhã desta quarta feira João Vilarinho, mais conhecido como Dumbo Dinamite. Polícia chegou a Dumbo por denúncia anônima, quando investigava o contrabando de 35 kg de dinamite, o que liga Dumbo às explosões de caixas eletrônicos ocorridas em janeiro último.

*

Na coletiva de imprensa, a polícia permitiu que Dumbo Dinamite respondesse algumas perguntas. Mas apenas questões que fossem importantes para o caso.

— Reparei que você tem as orelhas pequenas. Por que Dumbo?

— É porque gosto do desenho. Choro sempre que vejo.

*

Suspeito de posse de explosivos é fã de desenho animado

Da redação

Dumbo Dinamite, suspeito de roubo preso pela polícia, mostra seu lado humano: apelido vem de gosto pela animação homônima da Disney, em que um elefante de orelhas extremamente grandes, desacreditado pelos outros animais, acaba por voar.

O fato e a metáfora abrem o debate na sociedade: não seria precoce condenar as pessoas que têm seus sonhos interrompidos, como Dumbo Dinamite? O sociólogo Ferdinando Cortese diz que os sonhos interrompidos são os criadores das mazelas da sociedade, causadas principalmente pela desigualdade social, inerente ao capitalismo, nem representando nas instituições bancárias. “Dumbo tem as orelhas grandes, mas é desacreditado pelos outros animais do circo, que são, na verdade, escravos; assim é a nossa sociedade: somos animais de circo, cujo dono são os capitalistas, e nos comprazemos da desgraça de nossos semelhantes”, arremata Cortese.

*

Banco indeniza Dumbo Dinamite

Da redação

Em decisão unânime, o Tribunal da Corte inocentou Dumbo Dinamite da acusação de roubo e condenou o banco que teve os caixas explodidos a pagar uma pensão vitalícia ao inocentado. O Banco Caraminguá não comentou a ação, mas fontes garantem que a instituição não recorrerá da decisão. O sociólogo Ferdinando Cortese, especialista em reabilitação social, comemorou o que chama de “lógica perversa do capitalismo”; aproveitando a deixa, Cortese diz que a decisão sobre o caso Dumbo Dinamite abre precedente para outras revisões de posição de empresas capitalistas.

Deixe um comentário

Filed under Sem categoria